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Sai um texto mal passado

Posso escrever sobre bolachas de manteiga numa lata azul-escura-brilhante, sobre um fio de ouro ensanguentado no chão do colégio, sobre um dealer chorão e aqueles 4 centímetros que cresci fora de tempo e quero descobrir onde.  Peçam-me para divagar em 5000 carateres sobre amigas de longa data ou sobre quando tranquei a turma na sala da catequese porque pensava que a hóstia era chocolate branco. Até me pinto para esgotar as palavras.  Mas nunca sobre sentimentos.  Não pensem que não tentei. Mas é que soa sempre a cru. Àqueles bifes em sangue por dentro ( ​sai um texto mal passado para a dois ), a forte e destemido, a corajoso, a um sentimento como ele se vê se fora, a uma mão que pega na pistola com firmeza mas por dentro treme mais do que as ilhas da Indonésia. As maravilhas do backstage das palavras são infinitas e esta é uma delas: ser fechado ao público e parecer aberto. (Ai, que escritor emocional. Ai, que poeta apaixonado, Vocês sabem lá, faz-vos gastar...

Não mata mas pica

Já todos aqui levámos uma. Eu já, tu também, os teus vizinhos e primos não ficam de fora e até a dona Irene do 2.º já levou, pelo menos uma vez na vida.  Não estou a falar de vacinas. Coima.  Até é uma palavra difícil de pronunciar. E mais difícil ainda de engolir. Mas tenho uma teoria: sâo elas o ritual de passagem para a idade adulta.  Se ainda não deixaste a tua inocência por aí em alguma estação de metro, comboio, num estacionamento mal feito ou mal pago ou numa rotunda à noite onde o balão marca mais de 0,5, então este texto não é para ti, seu assíduo leitor da Bravo e colecionador de posters dos D’ZRT. Ainda não passaste pela experiência de ser esvaziado da tua essência de teenager enquanto te aparecem magicamente duas rugas de expressão, uma senha das finanças e uma declaração do IRS nas mãos.  (E olhem, isto não é um texto sobre uma multa)  Uma mulher vai criando uma imagem agradável de si própria - sente-se respeitável, uma lady ...