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Há Mais Folhas Para Além do Excel

“Quando morrer... Haverá tecnologia para lá dos meus sonhos. Haverá arte e liberdade. Quando morrer, depois de morrer Por ti, o destino será subjugado à verdade. Quando morrer Lembrar-se-ão do barulho que fiz. Mas tu, que és o som da minha vida, não sei do que te recordarás. Quando eu morrer, e da minha carne nascer uma árvore num jardim qualquer, lembra-te que nessa árvore estão os pássaros, cujas plumas um dia me caíram do chapéu. Quando os fores venerar, essas esfinges ao meu orgulho, só aí, chora. Não chores por mim. Chora porque a árvore que quero ser, mas não serei, nunca te abraçará. Chora porque de tudo o que dei às letras, à música, à arte, à vida!, tudo definhou no orgulho ferido de umas plumas tesas no chão, no sepulcro de uma árvore qualquer. Quão doce seria o teatro, o nosso teatro, se o palanque fosse feito dessa árvore, e tu o percorresses com os teus pés. Quando eu morrer, não quero aquelas tangas que fazem aos art...

Fontarcada

- Capitão! Os comunistas tomaram de assalto o torreão das Virtudes!  Com o embate provocado pelo sobressalto, na mesa ficou um lago de vinho e de papel amarelo de jornal, no chão um copo partido. Aquele anúncio interrompera com estrépito o seu ritual vespertino. Sentava-se sempre na mesa mais recatada da esplanada da Cantareira e pedia meio copo de tinto com gelo e uma garrafa pequena de gasosa. Depois abria sobre a mesa as asas de papel do Comércio de um qualquer dia sorteado de cento e cinquenta e um anos de arquivo do periódico. Divertia-se naquela tarde com as notícias, carcomidas pelo bicho, do dia 29 de Agosto de 1870, enquanto rosava os lábios com o suave xarope do refresco e se reconfortava com a platitude da baía à sua frente. Essa preciosa paz foi rasgada por um bote que acelerava vindo da outra banda, e que entrara no ancoradouro com o presságio de um desastre.  - Que mais sabes, Mestre Jonas?  - É tudo. Mal vi a bandeira negra hasteada na capela d...