Sai um texto mal passado
Posso escrever sobre bolachas de manteiga numa lata azul-escura-brilhante, sobre um fio de ouro ensanguentado no chão do colégio, sobre um dealer chorão e aqueles 4 centímetros que cresci fora de tempo e quero descobrir onde. Peçam-me para divagar em 5000 carateres sobre amigas de longa data ou sobre quando tranquei a turma na sala da catequese porque pensava que a hóstia era chocolate branco. Até me pinto para esgotar as palavras. Mas nunca sobre sentimentos. Não pensem que não tentei. Mas é que soa sempre a cru. Àqueles bifes em sangue por dentro ( sai um texto mal passado para a dois ), a forte e destemido, a corajoso, a um sentimento como ele se vê se fora, a uma mão que pega na pistola com firmeza mas por dentro treme mais do que as ilhas da Indonésia. As maravilhas do backstage das palavras são infinitas e esta é uma delas: ser fechado ao público e parecer aberto. (Ai, que escritor emocional. Ai, que poeta apaixonado, Vocês sabem lá, faz-vos gastar...